18/03/2026 - PF investiga se esposa de desembargador Macário Neto era funcionária fantasma na Alerj
A Polícia Federal aponta que Flávia Ferraço, esposa do desembargador Macário Neto, preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho, pode ter atuado como funcionária fantasma na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
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Segundo a investigação, ela ocupava um cargo na estrutura da Casa durante a presidência do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), também preso no mesmo inquérito, mas passava a maior parte do tempo fora do estado, inclusive no exterior.
As suspeitas surgiram a partir da análise de mensagens e dados de geolocalização obtidos durante a investigação que levou à prisão do desembargador e de outros envolvidos.
PF investiga se esposa de desembargador Macário Neto, Flávia Ferraço, era funcionária fantasma na Alerj
Reprodução TV Globo
Segundo a investigação, Flávia Ferraço recebia cerca de R$ 8,2 mil por mês na Alerj. Ao longo dos cerca de 30 meses em que permaneceu nomeada, ela teria recebido mais de R$ 250 mil dos cofres públicos.
A equipe do RJ2 entrou em contato com a Alerj e com Flávia Ferraço, mas até a última atualização desta reportagem não teve retorno.
Viagem ao Chile durante o trabalho
Um dos pontos que chamou a atenção da Polícia Federal foi uma viagem de Flávia Ferraço para o exterior durante dias em que deveria estar trabalhando na Alerj. Segundo o relatório, entre os dias 3 e 6 de setembro de 2025, a maior parte deles dias úteis, o celular dela registrou presença em Santiago, no Chile.
De acordo com a apuração, nesse período não havia registro de férias ou afastamento formal da servidora do legislativo fluminense.
Flávia Ferraço é esposa do desembargador Macário Neto, preso sob suspeita de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho. Ela é apontada como funcionária fantasma na Alerj.
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Moradia no Espírito Santo
Os investigadores também identificaram que Flávia passava boa parte do tempo fora do Rio. O relatório da PF aponta que, ao longo de 2025, foram registrados diversos períodos de permanência no Espírito Santo, especialmente na cidade de Vitória.
Em depoimento à Polícia Federal, prestado no próprio estado, ela afirmou morar na capital capixaba há anos. Questionada sobre a situação, Flávia respondeu:
"Não, eu ficava aqui e ficava lá também."
Ao ser perguntada sobre a frequência na Alerj, Flávia afirmou que frequentava a Alerj todos os dias que estava no Rio.
"Eu ia todos os dias que eu estava no Rio de Janeiro. Praticamente toda a semana", disse Flávia.
Mensagem reforça suspeita
A suspeita de que ela não exercia efetivamente o cargo na Alerj foi reforçada por mensagens analisadas pelos investigadores. Em uma conversa com o marido, Flávia escreveu que não tinha emprego fixo.
"Não tenho um emprego fixo porque moro em dois estados pra acompanhar meu marido e cuidar dele", escreveu.
Alerj
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Para a Polícia Federal, a declaração contrasta com o fato de que ela estava formalmente nomeada na Alerj naquele período.
Segundo a investigação, isso pode caracterizar improbidade administrativa e indicar que a nomeação ocorreu por influência da relação entre Macário Neto e Rodrigo Bacellar. Flávia foi exonerada do cargo cerca de três meses depois da mensagem, segundo a investigação.
Outro elemento analisado no inquérito são mensagens trocadas entre Flávia e o então diretor-geral da Alerj, Marcos Brito, apontado como seu superior.
"Se entrarem na questão da Alerj a gente pode dizer que foi minha indicação pessoal para formação de equipe e por isso sempre esteve lotada na diretoria geral. E nunca na presidência", escreveu Brito.
Em outra mensagem, enviada a uma amiga, Flávia afirma:
"Coitado do DG (diretor geral). Nem me conhecia", escreveu a esposa do desembargador.
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